Tribuna Online – Dez moedas do futuro para investir

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Dez moedas do futuro para investir

Bitcoin, Ethereum, Dash, ZCash, Monero, NEO, Litecoin, Waves, deCRED e EOS são as apostas do mercado em criptomoedas

As chamadas moedas digitais, ou criptomoedas, já são realidade e, agora, começam a ganhar mais força no Brasil. No País, em 2015, foram negociados R$ 35 milhões. No ano passado, o total saltou para R$ 90 milhões, segundo informações da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Nesse mercado existem diversos tipos de moedas competindo pela preferência do investidor. Entre elas, a pioneira e mais famosa: Bitcoin. No começo do desenvolvimento desta reportagem, a unidade valia cerca de US$ 3 mil (R$ 9.420). Já no fechamento da edição, a cotação havia batido o recorde de US$ 4.400 (R$ 13.816).

Entretanto, não só de Bitcoin sobrevivem as finanças digitais. A reportagem de A Tribuna apurou outras nove moedas digitais indicadas por especialistas para se investir. São elas: Ethereum, Dash, ZCash, Monero, NEO, Litecoin, Waves, deCRED e EOS.

O economista, investidor e co-fundador do portal Criptomoedas, Paulo Aragão, explicou que as moedas digitais foram criadas com o objetivo de replicar as características do “dinheiro vivo” na plataforma virtual.

“Quando você compra um jornal na banca em dinheiro, a nota deixa de ser sua e passa a ser do dono da banca instantaneamente, sem intermediário, nem taxa de serviço. É isso que pretende replicar, diferente das transações bancárias on-line, onde existe uma instituição intermediária, tempo de processo da operação e taxas cobradas”.

Segundo o investidor e consultor do Libertas Bank, assessoria especializada em finanças digitais em Vitória, Daniel Herkenhoff, as principais vantagens desse mercado podem vir a ser também os maiores riscos.

“É um investimento de alto risco, como as ações, porque tem uma grande variação. Isso significa que pode crescer muito, mas em algum momento também pode cair. Só que a tendência a longo prazo é boa”, afirmou.

Herkenhoff contou que quando começou a investir, há três anos, comprou Bitcoins por R$ 700. Hoje, as moedas já estão cotadas a cerca de R$ 14 mil.

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Compra ocorre toda pela internet

Enquanto o uso das moedas digitais como meio de pagamento diário ainda é escasso, o número de investidores tem crescido. De acordo com o que acredita Guto Schiavos, fundador e diretor operacional da FoxBit, maior corretora do mercado digital no País, a estimativa é de 200 mil clientes só em corretoras, além daqueles independentes.

“O investimento funciona de forma semelhante ao de ações na Bolsa, são consideradas ativos financeiros, mas tudo é feito de forma on-line. Nenhuma corretora no Brasil faz atendimento presencial”.

Para quem se interessar, o primeiro passo é procurar o site de alguma corretora ou casa de câmbio especializada, as chamadas exchanges, para criar uma conta.

“A exchange cria um ambiente seguro e conecta os usuários que querem comprar e vender as moedas digitais. Quem está começando, deposita um valor em real e vai receber o correspondente na criptomoeda que escolher, de acordo com a cotação do momento”.

A partir daí, grande parte do processo é acompanhar a variação da conta. “Em alguns momentos, o valor cai, e aí não pode se desesperar. O importante é esperar valorizar de novo, que é a tendência geral. A longo prazo, o Bitcoin, por exemplo, nunca me decepcionou”.

Mas, antes de tudo, Guto garante que é muito importante pesquisar sobre o tema. “É bem amplo, por isso é importante estudar o assunto para entender o mercado”.

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1 Bitcoin

Cotação da unidade: US$ 4.172,10 (Cerca de R$ 13.100,39)

Lançada em 2009 pelo pseudônimo Satoshi Nakamoto, foi pioneira no mercado de moedas digitais. A grande vantagem é permitir transações financeiras sem intermédio de terceiros. Em sua criação, valia cerca de US$ 0,03 e, de lá para cá, sua valorização foi surpreendente. Isso acontece, em partes, porque a quantidade de bitcoins é limitada a 21 milhões de unidades, que ainda estão em processo de produção.

2 Ethereum

Cotação da unidade: US$ 296,99 (Cerca de R$ 932,55)

Fundada em 2014, não tinha o objetivo de se tornar uma moeda de investimento, mas foi o que aconteceu com o sucesso da sua plataforma. É apontada por especialistas como a segunda colocada absoluta.

3 Dash

Cotação da unidade: US$ 227,03 (Cerca de R$ 712,87)

É a primeira que funciona exatamente como dinheiro físico, com transações instantâneas, além de contar com a taxa mais barata de todas. Já existem vendedores de rua nos Estados Unidos aceitando como forma de pagamento.

4 ZCash

Cotação da unidade: US$ 201,78 (Cerca de R$ 633,59)

Foi fundada em outubro do ano passado com o objetivo de aumentar a privacidade: oculta automaticamente o endereço de envio e do beneficiário das movimentações, além do valor de todas as transações, sendo acessível somente para quem tem a chave de visualização.

5 Monero

Cotação da unidade: US$ 49,33 (Cerca de R$ 154,90)

Assim como a ZCash, foi lançada com uma tecnologia não rastreável, para trazer mais privacidade que o Bitcoin. Especialistas acreditam que, com a crescente preocupação pelo anonimato, são grandes apostas.

6 Litecoin

Cotação da unidade: US$ 46,23 ((Cerca de R$ 145,16)

Foi a primeira criptomoeda depois do Bitcoin e sempre acaba sendo utilizada como uma cobaia nas atualizações, o que pode ser arriscado, mas a coloca como pioneira em modernização.

7 NEO

Cotação da unidade: US$ 37,50 (Cerca de R$ 117,75)

É o primeiro projeto do setor vindo da China e pretende se aproveitar das conexões com algumas grandes empresas do país para aumentar sua capitalização, como a Alibaba, grupo detentor da Aliexpress.com.

8 deCRED

Cotação da unidade: US$ 23,83 (Cerca de R$ 74,83)

Lançada por um antigo grupo de desenvolvedores do Bitcoin, é a primeira 100% descentralizada, ou seja, todas as questões administrativas serão resolvidas por toda a comunidade integrada, sem a chance de que alguma entidade tente impor controle.

9 Waves

Cotação da unidade: US$ 4 (Cerca de R$ 12,56)

Ao contrário de outras moedas digitais, esta não busca substituir o dinheiro convencional, mas sim integrar todas as formas já existentes. Se destaca por ser versátil e “amigável”, sendo ideal para financiamentos coletivos.

10 EOS

Cotação da unidade: US$ 1,43 (Cerca de R$ 4,49)

Uma das mais recentes, tem a promessa de inovar com a eliminação da exigência de pagamento a cada transação. Grande aposta dos especialistas.

OBS.: Valores cotados no fechamento da reportagem, em 20/08/2017. Devido à flutuação, podem sofrer mudanças.

 

Banco Central aponta riscos

Fernando Barros disse que ativos que dão retornos altos são também mais voláteis, apresentando riscos maiores. Foto: Divulgação

O crescente uso das moedas virtuais e a dificuldade em adaptar sobre elas as normas dos sistemas financeiros tradicionais têm sido alvo dos debates de autoridades monetárias e públicas em todo o mundo, incluindo o Banco Central do Brasil.

Segundo a assessoria da instituição, o posicionamento do Banco Central sobre o assunto é destacar os riscos que as operações com as criptomoedas podem oferecer.

Em primeiro lugar, o Banco Central alerta para o fato de que as moedas digitais não são emitidas nem garantidas por autoridade monetária de nenhum país.

Sendo assim, não possuem garantia de conversão para a moeda oficial. O valor de conversão vai depender totalmente da credibilidade e da confiança do mercado, deixando todo o risco de sua aceitação nas mãos dos compradores e investidores.

Outro ponto a ser considerado, segundo o órgão, é a grande flutuação nos valores das moedas virtuais. Nessa mesma linha, seus preços podem ser significativamente afetados pela aplicação de medidas regulamentares por autoridades de qualquer país.

Segundo o professor de Economia da Fucape Fernando Barros, essa volatilidade, que é responsável por trazer grande valorização, também pode levar a grades perdas em um momento de baixas.

“Ativos que dão retornos mais altos são os mais voláteis, com maior risco. Então, pode acontecer de despencar, porque oscila muito. Muita gente fica tentada por esse valor que vê agora, mas olhando todo o histórico, é bem instável”.

Sobre as medidas de regulamentação, Barros explicou que, no caso do Brasil, “nossa legislação é muito pautada em tributação, e isso envolveria um custo a mais, o que tiraria um pouco da atratividade”.

O professor de MBA da Fundação Getulio Vargas Andre Miceli afirmou que uma regulamentação desse tipo poderá trazer consequências negativas para quem pensa nas moedas digitais como um investimento.

“Dependendo do volume que atingirem, as criptomoedas poderão representar uma ameaça para o sistema financeiro tradicional. Se isso se confirmar, os governos vão atuar de forma mais contundente na legislação, e isso certamente terá impacto no bolso dos investidores que, com certeza, não será positivo”.

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Sistema

  • As moedas digitais existem em uma plataforma chamada blockchain, “cadeia de blocos” em inglês.
  • Funciona como um “grande livro de registros públicos”, com cada transação que já foi realizada. E essas informações são salvas em blocos.
  • Essa rede é formada por todos os computadores que estão conectados aos softwares de cada moeda.

Mineração

  • A cada cinco minutos, aproximadamente, um novo bloco é gerado com as transações monetárias realizadas naquele intervalo de tempo na rede.
  • É preciso que todas as máquinas conectadas validem essa nova informação, e assim elas competem para resolver o algoritmo desse bloco.
  • Quem consegue primeiro é recompensado com certa quantia, variando para cada moeda digital. Esse é o processo responsável por produzir novas moedas, chamado mineração.

Segurança

  • Dessa forma, a plataforma é considerada inviolável, já que, para fraudar o sistema, seria necessário invadir todos os computadores da rede no mundo em menos de cinco minutos.

Fonte: Tribuna Online