DCI – Bitcoin tem 2ª maior desvalorização do ano

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Bitcoin tem 2ª maior desvalorização do ano

Entre as duas maiores corretoras do País, a variação negativa foi de 28%, puxada por realização de lucro contra queda anterior da criptomoeda no exterior. Expectativa, porém, é de alta em 2018

O bitcoin teve, ontem, a segunda maior desvalorização do ano, caindo mais de 28% entre as duas principais corretoras do País. A moeda, porém, mostra variação positiva de 1900% no ano em relação a 2016 e a perspectiva é de novas altas significativas em 2018.

A queda foi vista entre a cotação de abertura da criptomoeda na Foxbit e no Mercado Bitcoin e o valor mínimo observada durante a tarde, onde a variação foi de uma média de R$ 63 mil para cerca de R$ 49 mil. Juntas, as duas principais corretoras de bitcoin somam mais de 74% dos trades no País.

De acordo com o sócio da Braziliex – plataforma que negocia mais de 11 criptomoedas no Brasil –, Marcelo Rozgrin, o movimento correspondeu a uma correção do mercado doméstico em relação ao exterior.

A variação negativa pode ter tido como gatilho a notícia da última quarta-feira de que a Coinbase, uma das maiores exchanges do mundo, aceitaria o bitcoin cash. Nessa linha, o mercado brasileiro não acompanhou as grandes quedas que o anúncio puxou no cenário internacional e teve, assim, uma correção na sessão de ontem.

“Vemos muita gente fazendo esse trading entre as criptomoedas com muita rapidez e isso traz a realização de lucro que gera essa volatilidade”, explica o sócio da Braziliex.

O movimento, porém, não foi suficiente para influenciar na valorização da moeda ao longo do ano, que saiu dos US$ 968,23 em dezembro do ano passado, para alcançar os US$ 18.950 observados ontem.

“A trajetória neste ano foi muito positiva e já supera os 1900% de alta. A oscilação não é novidade entre os investidores porque a moeda é sensível a efeitos externos, mas a tendência é que, com o desenvolvimento do mercado, a oscilação diminua”, diz a diretora comercial do Bitcoin Banco, Adriana Siliprandi Hishida.

Regulação

Ao mesmo tempo, a discussão ao redor de uma regulamentação específica para as criptomoedas também tem chamado atenção de investidores.

Só nesta semana, a comissão especial que analisa a regulamentação de moedas virtuais pelo Banco Central (BC) promoveu duas audiências públicas para debater as propostas sendo que, em uma delas, o relator da comissão, deputado Expedito Netto (PSD-RO) defendeu a proibição de compra e venda das criptomoedas por empresas, tornando a ação passível de crime.

Para o coordenador do curso de MBA em marketing digital da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Miceli, ainda que as características do bitcoin se assemelhem às de uma “bolha”, as operações com a moeda são “um caminho sem volta e cedo ou tarde a regulação favorável tem que acontecer”.

A situação, no entanto, ainda foge de um consenso até mesmo entre os órgãos reguladores que, por encontrarem no bitcoin tanto uma moeda de troca quanto um ativo, ainda não estabeleceram se a regra deveria partir do próprio BC ou da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

“Estamos em um movimento de disrupção que acompanha diversas incertezas e é natural que essas discussões aconteçam. Criar uma regulamentação para algo tão novo é difícil, mas tem que acontecer”, comenta o especialista.

O consenso do mercado, por sua vez, é que o Brasil não fique para trás em relação ao estabelecimento de regras, uma vez que o bitcoin é muito explorado por investidores do mundo inteiro e tem cada vez mais espaço em outros países.

“É fundamental e inevitável estabelecer um ambiente seguro para essas transações. Inibir a presença da moeda não adianta, é muito mais fácil identificar investidores e trazer tributos e a fiscalização da Receita do que excluir o Brasil do movimento”, opina Rozgrin.

Mudanças

Da outra ponta, porém, os especialistas ponderam “exageros” por parte dos investidores, que acabam aplicando todas as economias e até mesmo abandonando o emprego para se tornarem completamente dependentes da valorização da criptomoeda no País.

“É preciso registrar a necessidade da cautela. O ativo é de altíssimo risco e quem investe precisa saber disso. De qualquer forma, o ano que vem, com certeza, trará uma nova regulação, outras criptomoedas a serem negociadas e uma mudança ainda boa no Bitcoin”, conclui Miceli, da FGV.

Fonte: DCI