Jornal do Comércio – Ano marcará avanço das moedas digitais

796348_01_02-1696546

Ano marcará avanço das moedas digitais

O fascínio das pessoas pelas criptomoedas deve se intensificar em 2018, movimento que tem tudo para ser acompanhado pelo crescente aumento dos negócios realizados. Entre janeiro e junho deste ano, foram movimentados mais de US$ 100 bilhões no mundo – no Brasil, R$ 90 milhões. Em dezembro, o Bitcoin (BTC) começou a ser negociado no mercado futuro dos Estados Unidos, na Chicago Board Options Exchange, uma das principais bolsas de futuros e opções dos EUA (o que não deixa de ser uma legitimação desse ativo).
Pelo mundo, já começaram a aparecer os primeiros bilionários do bitcoin: os gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss. Eles fizeram uma aposta na valorização da moeda, adquirindo 1% da oferta total de bitcoins por US$ 11 milhões em 2013 (parte dos US$ 75 milhões que receberam para encerrar o processo contra Mark Zuckerberg, do Facebook), e agora atingiram o patamar de US$ 1 bilhão.
O COO da BitcoinTrade, Daniel Coquieri, acredita em um cenário de consolidação das moedas virtuais. “Os fundos institucionais e as corretoras ao redor do mundo estarão cada vez mais aptos a oferecer esse produto a seus clientes, e esse movimento trará mais pessoas interessadas ao mundo das moedas virtuais e da regulamentação das empresas em volta delas”, aposta.
Sobre a alta valorização do BTC, ele acredita que será corrigida pelo mercado com o tempo. “Têm pessoas comprando e vendendo a todo instante. Quanto maior a liquidez, a tendência da cotação é se estabilizar, mas sempre será um investimento de risco”, projeta.
O professor e coordenador do MBA em Marketing Digital da Fundação Getulio Vargas (FGV), Andre Miceli, diz que tem gente ganhando muito dinheiro com o BTC. “Estamos no meio de uma bolha, mas isso não quer dizer que o bitcoin atingiu seu valor máximo possível. Ainda vamos ver uma oscilação grande, resultado do movimento especulativo”, observa.
Ele explica que o movimento de alta da moeda (que já se valorizou 10.000% desde 2013) provoca um efeito de manada. Quem tem dinheiro paga muito pelo BTC, e o preço sobe. Outras pessoas acabam indo atrás desse movimento, pagando muito pela moeda e elevando ainda mais a cotação. É aí então que alguém sai, vendendo tudo por esse preço altamente valorizado e, assim, fazendo o seu lucro acontecer.
Isso ainda deve acontecer durante um tempo, mas a expectativa é que as criptomoedas atinjam a estabilidade. “Sempre vai existir um ponto de equilíbrio entre a oferta e a demanda. Existem mais de 1 mil criptomoedas no mercado, que hoje são desconhecidas. Algumas ganharão força e impulsionarão essa busca pelo equilíbrio”, avalia. É o caso da Monero, Dash, Z-cash, Steem, Litecoin e Ethereum.
O especialista, porém, ressalta o fato de que, dependendo do volume em valor de mercado que elas atingirem, as criptomoedas poderão representar uma ameaça para o sistema financeiro tradicional. “Se isso se confirmar, os governos deverão atuar de forma mais contundente em termos de legislação, o que poderá acarretar em mudanças que certamente impactarão o bolso dos investidores”, explica.
Outra questão que preocupa é, justamente, uma das principais características das criptomoedas: a ausência de um lastro das transações realizadas. O advogado da área empresarial do Souto Correa, Vinicius Fadanelli, admite que o anonimato aumenta as chances do seu uso para fins ilícitos. Não são raros os casos no mundo dos bitcoins financiarem a compra de drogas e armas, além da lavagem de dinheiro. “Isso é algo que vai na contramão de todas as evoluções dos sistemas de controles dos últimos anos. Ao mesmo tempo, essa falta de autoridade central é muito da beleza das criptomoedas, e o que tem feito com que essas moedas tenham se desenvolvido”, analisa.
Segundo ele, a cada nova tecnologia criada, surgem usos fabulosos que empurram a humanidade para a frente e situações que precisam ser resolvidas para evitar que se chegue a circunstâncias extremas, como a de países tentando controlar o uso. “A regulação tem que ser efetiva, mas não pode engessar e matar as criptomoedas, porque seria contraproducente negar os avanços por conta de alguns comportamentos ilícitos. Temos que conseguir descobrir formas de investigar e resolver, mas não acabar com a inovação”, sugere Fadanelli.

Oferta no comércio deve popularizar pagamento

Um novo movimento deve ganhar força em 2018 e ajudar a disseminar o uso das criptomoedas: o aumento dos produtos e serviços que poderão ser adquiridos com essas moedas. Hoje em dia, já é possível comprar carros, ingressos para shows e jantar em restaurantes dessa forma.
A Tecnisa S.A., player brasileiro do mercado imobiliário, acaba de realizar duas vendas com a criptomoeda. Os apartamentos negociados são dos empreendimentos Reserva Manacá e o Flex Jundiaí, ambos em São Paulo. A empresa aceita bitcoins na compra de imóveis desde 2014, mas, recentemente, o volume de consultas aumentou de forma exponencial.
A gaúcha KingHost, empresa de hospedagem de sites, começou a aceitar as criptomoedas bitcoin e litecoin como forma de pagamento – a primeira brasileira deste segmento a aderir a esse tipo de transação. O processo de compra não sofrerá alterações. Apenas no momento de finalizar a transação, aparecerá a opção de efetuar o pagamento em criptomoedas.
“Sem dúvida alguma, em 2018, teremos um aumento do número de estabelecimentos que aceitam bitcoin, o que será fundamental para que as criptomoedas se popularizem no mercado”, avalia o professor e coordenador do MBA em Marketing Digital da Fundação Getulio Vargas (FGV), Andre Miceli. A partir disso, o que se espera é um efeito de rede. Assim como o Uber só faz sentido se existirem motoristas querendo prestar serviço de um lado e, do outro, gente precisando e serviço de motorista, o mesmo acontece com as criptomoedas.
O COO da BitcoinTrade, Daniel Coquieri, diz que a aplicação no mundo real desta tecnologia vai mudar a maneira como as pessoas e as empresas vão lidar com o dinheiro.

Fonte: Jornal do Comércio