Jornal Estado de Minas – Disputados pelo mercado

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Disputados pelo mercado

Alta demanda e baixa capacitação em mídias sociais fazem dessa área uma das mais promissoras no mercado de trabalho atual e do futuro. Mesmo aquecido, a falta de profissionais capacitados é um entrave para as vagas oferecidas. A falta de formação técnica e exigência de características como proatividade,  independência, veia criativa, além do conhecimento em tecnologia, matemática, administração e comunicação, a tornam um desafio para os trabalhadores e dor de cabeça para os empregadores. A conta oferta e demanda não fecha. No entanto, é um segmento em plena expansão e, se pensarmos no ano eleitoral, a procura por esse profissional será ainda maior. Quem domina as técnicas e as ferramentas para atuar com Facebook, Instagram, Twitter, sites e outros canais na web é disputado e tempo der de escolha e seleção neste momento em que passamos pela quarta revolução Industrial, a revolução tecnológica, que transformará fundamentalmente a forma como trabalhamos, vivemos e nos relacionamos.

André Miceli, coordenador do MBA em comunicação e marketing digital da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Faculdade Ibis, lembra que convivemos com um histórico de amadorismo na área, quase uma tentativa de erro e acerto, somado à curiosidade. “O tempo passou, os investimentos feitos pelas empresas aumentaram e priorizam players que estão dispostos a investir. Cada vez mais, saber segmentar anúncio é fundamental para o sucesso dos investimentos e com a crise a necessidade é premente. Portanto, não há mais espaço para amadores. No entanto, existe uma zona cinza, de interseção entre a tecnologia e a comunicação.” Para André Miceli, com jornalistas e comunicadores sociais sendo o principal público, há um vácuo diante da crise no mercado, o que obriga o profissional a ter de se reinventar. E a carência é gigante. “Há gente sem emprego e vagas em qualificação.” A formação até ocorre, mas o conhecimento e o domínio não vêm na mesma velocidade que o mercado precisa. O professor destaca que o gap é grande.
“O setor bancário, por exemplo, sofre com a falta de talento digital e tem um gap de 53%, sendo que a média global é de 55%. No Brasil, o percentual é ainda maior. A demanda surge, mas demora um tempo para ter a mão de obra. Precisamos de mais pessoas com conhecimento digital. O mercado vai crescer, novas tecnologias surgem e tudo passa também por uma questão de amadurecimento.”

HÍBRIDAS

André Miceli avisa que o profissional da área tem de dominar a tecnologia, a comunicação e conhecer as demandas da entrada para a formação no trato com as mídias sociais, que são o conhecimento em matemática e em administração. É aquela história – enfatiza o professor–, “vivemos em um mundo de especialistas, mas as especialidades mudam”. Ele usa muito o termo digital, que está impregnado na sociedade do século 21, gostem ou não, queiram ou não, dominem ou não. “Tecnologia e comunicação são características híbridas.” E o que ainda mexe mais com esse mercado é que, como todos, será afetado pela nova lei trabalhista do governo Michel Temer, que fez mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT),com novas regras e alterações em pontos como jornada, plano de carreira, implantação e regulamentação de novas modalidades de trabalho, como o home office(trabalho remoto) e o trabalho intermitente(por período trabalhado). “Vejo um aumento da economia freelancer e como profissional tendo marcas próprias, assim como o desembarque no país de alguns fundos de investimentos chegando interessados em startups, não só de iniciativa própria, como já conhecidas. Enfim, mais do que nunca está no jogo o pensamento empreendedor. Tem peso e valor aquele que traz ideias inovadora se sabe aplicá-las dentro do movimento de disrupção. É preciso exercitar a criatividade, processo que é um exercício.” E, claro, André Miceli lembra que hoje a tecnologia faz parte de qualquer formação, não existe estar fora.

Fonte: Jornal Estado de Minas