Correio – Revolução Digital

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Revolução Digital

A tecnologia pode virar a quarta revolução industrial, segundo o coordenador do MBA em Marketing Digital da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Miceli. O especialista afirma que os poderes transformadores da inteligência artificial, big data (termo que descreve o imenso volume de dados), internet das coisas, tecnologias móveis e blockchain (sistema que garante a segurança das operações realizadas por criptomoedas) devem aumentar o padrão, a expectativa e a qualidade de vida das pessoas.
No entanto, Miceli destaca que também pode ter efeitos disruptivos, sobretudo no mercado de trabalho. Segundo ele, a evolução está ganhando velocidade. Das muitas áreas impactadas, as mais relevantes são sustentabilidade ambiental, empregos e habilidades. O especialista estima que as perdas globais de empregos devido à digitalização variam de 2 milhões a 2 bilhões de postos até 2030. Segundo ele, existe uma grande incerteza, com preocupação também com seu impacto nos salários e nas condições de trabalho.
Miceli destaca ainda nesta entrevista à Metrópole que os Millennials (geração nascida nos anos 90 e também conhecida como Geração Y) possuem uma relação diferente com o ‘ter’, ao contrário das anteriores. Tal fato explica, em parte, segundo o professor da FGV, o surgimento cada vez maior de empresas de compartilhamento, como é o caso do cooworking.
André Miceli é mestre em Administração pelo Ibmec RJ, com MBAs em Gestão de Negócios e em Marketing pela mesma instituição. Pós-graduado no programa Advanced Executive Certificate Program in Management, Innovation & Technology, do Massachusetts Institute of Technology – MIT e cursou o programa de Negociação da Harvard Law School. Graduado em Tecnologia em Processamento de Dados pela PUC do Rio de Janeiro. É fundador e Diretor Executivo da Infobase, uma das 50 maiores integradoras de TI do Brasil segundo o Anuário Informática Hoje, e da agência IInterativa.
Já ganhou mais de 20 prêmios de internet e tecnologia, incluindo, o melhor aplicativo móvel desenvolvido no País. Autor dos livros Planejamento de Marketing Digital, que está entre os campeões de venda da Editora Brasport, Estratégia Digital: Vantagens Competitivas na Internet e UML Aplicada: Da Teoria à Implementação publicados pela Editora Ciência Moderna. Coautor do curso de Gestão de TI do MBA do Ibmec RJ e professor dos MBAs de Marketing Digital e Internacional da Fundação Getulio Vargas.
Revista Metrópole: Na sua opinião, quais são os pontos positivos e negativos que a revolução digital trouxe?
André Miceli: Entre os pontos positivos que podemos destacar é que estamos diante de uma geração empreendedora que está mais preocupada com o ser humano e as questões sociais em geral. E entre os pontos negativos é que esta mesma geração é mais ansiosa e imediatista. Por isso se frustram mais e estão com dificuldades em aceitar um mercado de trabalho que funciona em velocidade diferente da deles.
O senhor diz que os Millennials, ou Geração Y, não está tão preocupada com o ter. Como o senhor enxerga essa geração e os desafios dela?
Uma geração criada com tecnologia pervasiva e um tempo bastante peculiar de resolver suas questões. Possuem muito acesso à informação e são bem educados. Eles terão o desafio de lidar com aquecimento global, tensões religiosas, inserção de tecnologia, substituição de mão de obra no trabalho e suas implicações que, certamente, questões sociais bastante sérias.
O senhor acredita que a geração Y já está vivendo em um mundo paralelo?
De jeito nenhum. Indivíduos de todas as gerações acabam apresentando traços comuns. Com essa não é diferente. Sobre o mundo paralelo, nele pessoas independentemente de geração.
O senhor acha que a revolução digital deixa mais evidente as desigualdades sociais?
Acho que existe o risco de que as demandas trazidas por essa nova onda tecnológica no que diz respeito à substituição de mão de obra e a capacitação profissional pode evidenciar essas diferenças. Por outro lado, a tecnologia diminui os custos de produção e, consequentemente, aumenta o acesso das camadas menos favorecidas da população a comodidades, equipamentos, enfim, a um estilo de vida que gerações anteriores não tiveram. Claro que estamos muito longe de um mundo justo, mas temos feito avanços.
Existem estudos que apontam que até um terço de todos os empregos do mundo está em risco devido as transformações digitais? Como o senhor analisa isso?
Muitos empregos irão mesmo acabar. Mas, muitos outros, na minha opinião, em menor quantidade, devem surgir. O que me preocupa mais do que o balanceamento entre postos criados e postos fechados é a demanda por conhecimentos tecnológicos e matemáticos. É bem provável que as pessoas que irão perder o emprego não estejam preparadas para o novo trabalho. Então, pelo menos nessa próxima onda, vejo pessoas sem emprego de um lado e vagas abertas que não serão preenchidas do outro.
E as pessoas que não nasceram na era digital, como introduzi-las neste universo?
Capacitação. Não existirá outra maneira.
O senhor acha que o segredo para acompanharmos as transformações digitais é nos reinventarmos sempre e nunca deixar de aprender?
Sem nenhuma dúvida. A demanda por conhecimento seguirá crescendo. A boa notícia é que a informação está mais acessível.

 

Fonte: Correio