IstoÉ – Não deu tempo para comemorar

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Não deu tempo para comemorar

Dois meses depois de venderem a 99 para a Didi Chuxing, os fundadores da primeira startup bilionária brasileira já estão envolvidos em novos negócios

A foto que você observa acima é histórica. Ela foi tirada em 3 de janeiro deste ano. Nela, você vê a alegria dos empreendedores Ariel Lambrecht, Renato Freitas e Paulo Veras, fundadores do aplicativo de transporte 99. Eles haviam acabado de vender a startup para a chinesa Didi Chuxing, o Uber da China. O unicórnio ao lado do trio de empresários não é apenas um detalhe. Naquela dia, a 99 passava a ser oficialmente o primeiro “unicórnio” brasileiro, como são chamadas as startups que valem US$ 1 bilhão ou mais. Com o negócio, estima-se que a trinca embolsou uma boa bolada em dólares. Apesar de não se saber o valor, uma coisa é certa: o dinheiro seria suficiente para que eles tirassem merecidas férias por muito tempo.

Mas dois meses depois de vender a 99, o trio já colocou a mão na massa e trabalha em novos negócios. Veras, por exemplo, tornou-se parceiro do fundo de investimentos Canary, que tem R$ 160 milhões para investir em startups brasileiras. Lambrecht e Freitas, por sua vez, já criaram uma nova empresa. Eles estão por trás da Yellow, uma espécie de Uber das bicicletas, que está dando os seus primeiros passos. “Descansar por algumas semanas até passou pela minha cabeça. Me aposentar, nunca”, disse Renato Freitas, em entrevista à DINHEIRO. “Criar e colocar algo novo no ar me dá muita energia.”

Fundada dias após a venda da 99, a Yellow não surgiu da noite para o dia. Ela começou a ser concebida em outubro do ano passado, quando a dupla ainda estava trabalhando a todo vapor no aplicativo de transporte. Segundo apurou DINHEIRO, a Yellow atuará na área de compartilhamento de bicicletas. A grande sacada deve ser a criação de um sistema onde o ciclista não precisará devolver as “magrelas” em estações espalhadas pela cidade, mas em qualquer lugar. O plano de negócio da Yellow ainda é guardado a sete chaves pelo time da Yellow. Eduardo Musa, ex-CEO da fabricante de bicicletas Caloi, deve ser um dos sócios da nova startup. “O fato de eles terem sido bem-sucedidos em outro empreendimento os ajuda a alavancarem um novo negócio”, diz Marcelo Coutinho, coordenador do mestrado profissional da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “Os investidores já ficam de olho.”
Enquanto Lambrecht e Freitas se aventuram em uma nova startup, Paulo Veras decidiu mudar de lado. Logo depois de deixar a 99, ele se uniu a outros empreendedores de sucesso, como David Vélez, da Nubank, Mike Krieger, do Instagram, e Julio Vasconcellos, do Peixe Urbano. Sua nova missão será encontrar negócios que possam se transformar em um unicórnio, assim como sua antiga startup. “É uma forma de ficar próximo de empresas que estão em seu estágio inicial e de contribuir para o empreendedorismo tecnológico no Brasil”, diz Veras. “Historicamente, o País sempre conviveu com escassez de capital para quem está começando um negócio. É bom ajudar nesta evolução.”

A Canary já investiu em 23 startups, entre elas a Volanty, que faz intermediação da venda de carros usados pela internet, e a Cartorio.com.vc, que usa a tecnologia para desburocratizar processos de empresas em cartórios. O exemplo de Veras, Lambrecht e Freitas é bastante comum no universo de empreendedorismo. Um exemplo é o do bilionário Elon Musk. Em 1999, ele criou o serviço de pagamentos digitais PayPal. Três anos depois, em 2002, vendeu a empresa para o eBay por US$ 1,5 bilhão. Sua fatia na empresa lhe rendeu US$ 165 milhões, dinheiro suficiente para viver muito bem o resto dos seus dias. Mas a cabeça de visionários como Musk não funciona dessa forma.

O dinheiro foi usado para criar a empresa aeroespacial SpaceX que produz foguetes e naves com o objetivo de desbravar o espaço sideral. “Essa inquietude é um traço marcante em quem gosta de empreender”, diz André Miceli, professor de gestão de negócios para a internet da FGV. “São pessoas que gostam de estarem envolvidas em novos projetos.” Outro exemplo é o de Steve Jobs (1955-2011). Depois de ter sido obrigado a deixar a Apple, em 1985, ele criou a fabricante de computadores e de sistemas operacionais NeXT. Em 1997, sua nova empresa foi adquirida pela maçã e Jobs começou seu caminho de volta ao topo na Apple.

Fonte: IstoÉ