O Tempo – Preços na web sobem após a segunda consulta do cliente

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Preços na web sobem após a segunda consulta do cliente

Proteste revela que variações são, em média, de 20%; pesquisar em vários sites evita prejuízo

As promoções conhecidas pelos usuários de e-commerces como “compre pela metade do dobro” não são exclusividade de épocas como a Black Friday. Simulações da Proteste Associação de Consumidores mostraram que os produtos podem ter, em média, variações de 20% no preço de uma consulta para outra em uma mesma loja eletrônica, ou nas lojas de um grupo varejista. Com essa prática, os lojas virtuais confundem o cliente. “Com isso, o consumidor tem uma falsa sensação que o preço é menor, mas não passa de uma gangorra de preços”, explica o pesquisador da Proteste, Daniel Barros. Ele realizou uma consulta, nessa sexta-feira (16), no preço de um fogão e encontrou uma variação de 31% em 24 horas. Para um telefone celular, a diferença do valor chega a 58%.

Barros explica que para ter certeza que um produto está realmente mais barato, é importante acompanhar o histórico do preço, e não apenas a variação nos diversos sites. “É difícil avaliar se aquela compra é um bom negócio sem considerar o histórico”, avalia. Outra orientação é definir o produto e o modelo que deseja comprar. A proteste tem um plug-in para o navegador Google Chrome que acompanha o preço de produtos por seis meses e envia um alerta quando o produto alcança um valor realmente menor.

Com essa técnica, o engenheiro de hardware, Murilo Queiroz, 40, conseguiu comprar uma televisão de R$ 8.500 por R$ 6.000 no ano passado. “Sabia o preço da TV desde janeiro do ano passado e comprei um pouco antes da Black Friday porque a vendedora de uma loja física fez o desconto”, conta Murilo, que usa a técnica na internet também com comparadores de preço como o BondFaro. “Acompanhando o preço no tempo e sabendo o que queria comprar, já consegui descontos incríveis”, afirma.

Já Lucas Ferreira, 45, brasileiro que trabalha na Áustria para a ONU, tem dificuldade de usar os comparadores de preços no caso de passagens aéreas. “A flutuação de preço é tão grande que, muitas vezes, o preço do comparador, uso o Google Flight, está desatualizado em comparação com o site da companhia aérea”. Ferreira admite que acompanhar os preços por mais tempo ajuda a identificar boas promoções. “O problema é que é preciso ter tempo e disponibilidade”, argumenta.

O vice-presidente de Marketing e Produto do Buscapé, Fábio Sakae, afirma que o uso de um buscador de preços pode garantir descontos de até 80%. “Algumas categorias podem chegar a 80% de desconto, como se vê em livros e games. Outras, como telefonia, TVs e Notebooks, oscilam entre 20% e 50% de desconto”, explica Sakae.

Na web. Os preços no comércio eletrônico tiveram retração de 3,44% em janeiro deste ano, na comparação com o mesmo mês de 2017. Frente dezembro, houve um leve aumento de 0,29%.

As estratégias de marketing das lojas eletrônicas podem ser utilizadas pelos consumidores para conseguir descontos. O coordenador do MBA em Marketing Digital da Fundação Getulio Vargas (FGV), André Miceli, explica que os e-commerces monitoram as tentativas de compra e podem oferecer descontos.

“Quando o consumidor coloca um produto no carrinho e não finaliza a compra, a informação é captada pela empresa. Muitas delas enviam depois uma promoção daquele produto para o cliente que mostrou o interesse em comprá-lo”, explica o professor.

O engenheiro de hardware, Murilo Queiroz, 40, lembra que “um e-commerce envia promoções diferentes de acordo com a pessoa e de onde ela chegou ao site”, afirma. Essas promoções também são definidas pelas empresas pelo uso dessa tecnologia. “Cookies são programas simples que captam informações de navegação do usuário. Eles são os responsáveis pelos anúncios que acompanham o consumidor em vários sites”, explica André Miceli.

“Os cookies auxiliam a entender o comportamento de cada consumidor”, acrescenta o vice-presidente de Marketing e Produto do Buscapé, Fábio Sakae.

Fonte: O Tempo