O Globo – Vaquinha online: Lula e Amoêdo lideram doações para campanhas

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Vaquinha online: Lula e Amoêdo lideram doações para campanhas

SÃO PAULO – Um mês após o início do financiamento coletivo para campanhas políticas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o empresário João Amoêdo, fundador do Partido Novo, são os campeões em recebimento de doações para pré-candidatos à Presidência. Preso há dois meses na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, no Paraná, o petista arrecadou mais de R$ 266 mil divididos entre 2920 apoiadores que querem vê-lo de volta ao Planalto. Já Amoêdo acumulou R$ 225 mil com apoio financeiro de 1765 pessoas que encampam suas ideias liberais para a economia.

Embora em pólos opostos na política, ambos têm um comum a capacidade de mobilização na internet. Quanto mais os eleitores se sentirem representados pelas ideias dos pré-candidatos, mais são motivados a investir dinheiro em suas propostas, observa André Miceli, coordenador do curso Marketing Digital da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

— Este modelo de financiamento favorece dois grandes perfis: os candidatos dos extremos que como Lula e (Jair) Bolsonaro (PSL) têm mais do que eleitores, têm seguidores. E aqueles que se apresentam como um outsider e articula bem com o mercado, que é o caso do João Amôedo, do Partido Novo — observa Miceli.

O potencial de arrecadação de Bolsonaro, no entanto, ainda não foi testado. O pré-candidato não lançou sua plataforma on-line para o recebimento de doações. Entre aqueles que se apresentam para a disputa ao planalto, seis já começaram a passar o chapéu virtualmente. Manuela D’Ávila, do PC do B, somou pouco menos de R$ 39 mil, dos R$ 150 mil que pretende arrecadar.

Já Guilherme Boulos, do PSOL, e Álvaro Dias, do Podemos, estão quase lado a lado no ranking das cifras. O primeiro acumulou R$ 14.880 com o apoio de 130 eleitores, enquanto que o segundo somou R$ 14.435 graças a 93 apoiadores. Filho do presidente João Goulart, o pré-candidato do PPL, João Goulart Filho, teve o apoio apenas de sete eleitores que, juntos, doaram R$ 1350. A meta do político é alcançar R$ 2 milhões até o dia 7 de outubro.

O crowndfunding — termo em inglês para o que no Brasil é chamado popularmente de “vaquinha” — para candidatos está autorizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde o dia 15 de maio. Este tipo de arrecadação entre eleitores é uma novidade nas eleições e é visto como uma alternativa para financiar campanhas após a proibição de doações de empresas.

Atualmente, existem 46 plataformas aprovadas pelo TSE para intermediar a arrecadação aos pré-candidatos. Para doar, é preciso se identificar com nome e CPF, e o pagamento pode ser feito por cartões de crédito ou boleto. O limite de doação diária é de R$ 1.064 por pessoa. A ajuda mínima começa em R$ 5 e R$ 10. Pelas regras, o valor arrecadado só será disponibilizado para as campanhas no dia 15 de agosto. Caso as candidaturas não sejam confirmadas, o dinheiro da doação deverá ser devolvido – descontados os valores das taxas cobradas pelas empresas de financiamento coletivo.

— Aqueles que são mais ativos na internet, que já conversam com o público e têm seguidores vão se sair melhor. Já para o eleitor comum será mais difícil doar pelo descrédito que há na classe política. Eles ainda não entenderam que essa é uma ferramenta de mudança no processo eleitoral — diz Cristiano Meditsch, diretor de marketing da Vakinha, grupo que mantém o Doação Legal, plataforma específica para arrecadação para campanhas políticas.

Até o momento, 875 pré-candidatos a diversos cargos já se registraram no site do Doação Legal, mas 420 deles ainda não arrecadaram nenhum centavo. A soma de doações na plataforma é de cerca R$ 635 mil. A meta é atingir R$ 20 milhões até 15 de agosto, quando se inicia a campanha.

AINDA NÃO DECOLOU

Os cofrinhos virtuais de alguns pré-candidatos ainda têm doações tímidas. É o caso do senador Romário, que tentará o governo do estado do Rio e até agora só recebeu R$ 2.656,00. Cria da internet, Kim Kataguiri, fundador do MBL e pré-candidato à Câmara Federal pelo DEM, arrecadou apenas R$6.200, segundo informou, na noite de quarta-feira, a Apoia.Org, empresa a qual sua campanha é veiculada. Após a publicação da reportagem, no entanto, a assessoria de Kataguiri contestou o valor e informou que já superou R$ 14.465. A diferença de R$ 8.265 foi somada graças 14 doações realizadas todas na quarta-feira, conforme exibe a plataforma.

— Os candidatos ainda estão se estruturando. A tendência é que as doações melhorem após a Copa do Mundo — diz Bernardo Cubric, CEO da Democratize, empresa criada especificamente para o financiamento coletivo de campanhas. A plataforma reúne até agora 163 pré-candidatos. — O candidato sábio vai se comunicar bem com o público e já trazer o eleitor (para o site) convencido em fazer a doação.

Para pontecializar as doações, a empresa Apoia.Org disponibiliza máquina de débito e crédito para pré-candidatos levem para eventos. Além do comprovante de pagamento, o equipamento registra dados dos doadores e dos políticos beneficiados. Em um só dia, o economista Humberto Laudares (PPS), que tentará uma vaga na Câmara Federal, arrecadou em uma hora R$ 12 mil em um evento em São Paulo na última semana.

— Muitos candidatos arrecadarão nos eventos, que poderão ser mais efetivos que na internet — observa Daniel Callirgos Padilla, CEO da Apoia Org.

Fonte: O Globo