Valor Econômico – Transformação digital entra no currículo dos MBAs

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Transformação digital entra no currículo dos MBAs

Este ano, a Saint Paul Escola de Negócios incluiu uma nova disciplina em seus cursos de MBA Executivo. Intitulada “transformação digital e coding”, a matéria ajuda os alunos a refletir sobre o impacto de novas tecnologias na gestão. “Mostramos a aplicação prática das tecnologias nos negócios”, afirma Adriano Mussa, diretor acadêmico de pesquisas e de inteligência artificial da escola.

Os alunos têm oito anos de experiência profissional em média, sendo cinco como gestores. Em um primeiro momento, eles fazem uma discussão preliminar sobre os novos recursos disponíveis. Em seguida, entram mais a fundo no tema. O passo seguinte é oferecer aos alunos uma perspectiva “mão na massa”. “Sentimos que era importante para que o aprendizado fosse concluído”, conta Mussa. “Não se trata de uma aula de programação, mas de experienciar a tecnologia.” Por fim, o módulo propõe uma nova reflexão em grupo.

Para Mussa, é importante levar o tema para os MBAs porque as transformações digitais não surgem, necessariamente, nas áreas de tecnologia, mas sim nas de negócio. “Ao entender o uso da tecnologia o gestor pode vislumbrar muita coisa.”

Além de ganhar a disciplina específica, os MBAs da Saint Paul vêm passando por uma mudança mais ampla. “Hoje temos o digital em praticamente todos as matérias”, diz o diretor da escola. “Não dá para discutir mercado financeiro sem falar de criptomedas, fintechs e meios de pagamento, ou de marketing sem incluir marketing digital. Todas as disciplinas vêm sofrendo alterações.”

A Fiap, também de São Paulo, passa por momento semelhante. “O digital reescreve todas as regras de negócio e isso impacta a gestão das empresas e os MBAs que preparam os gestores”, diz Paulo Santana, coordenador do MBA em gestão estratégica de negócios da faculdade. Além de incluir disciplinas específicas que falam de tecnologias emergentes, toda o currículo do curso foi revisto. “Não faz sentido o executivo ser preparado para ter uma visão estratégica clássica sendo que ele precisa pensar o futuro levando em conta tecnologias exponenciais. O digital muda a forma de pensar as estratégias.”

André Miceli, coordenador do MBA de marketing digital e dos programas de digital business da Fundação Getulio Vargas, explica que há disciplinas ligadas a novas tecnologias em todos os MBAs da escola. Além disso, a FGV oferece uma formação avançada em negócios digitais, entregando conteúdo de tecnologia associado a negócios. O programa é voltado para gerência média, profissionais com oito ou dez anos de experiência. “É um curso voltado para quem atua nos processos de implementação nas empresas, gerentes que vão efetivamente montar os projetos.”

A FGV vai lançar uma versão desse curso para executivos que ocupam cargos mais altos nas empresas, o chamado C-level. O programa, segundo Miceli, mapeia as mudanças que estão acontecendo na sociedade e as novas tecnologias e discute qual é a necessidade de adequação dos modelos de negócios a esse cenário. A primeira turma está prevista para novembro. “O executivo precisa entender de que a tecnologia vai mudar a forma como ele gerencia a empresa”, afirma Miceli.

A suíça IMD também incluiu, em 2018, o ensino de competências digitais em seu programa de MBA. “Está claro para nós que as pessoas que desenvolvemos hoje em nosso programa precisam dessas habilidades para ser eficientes em papéis de liderança”, diz o professor Séan Meehan, reitor do curso de MBA. “A tecnologia está revolucionando o espaço de oportunidades. Os líderes precisarão pensar como empreendedores, ser ágeis, rápidos, tolerantes ao risco, transparentes e conectados.”

Fonte: Valor Econômico