O Globo – Tik Tok: nova febre entre os jovens, rede social já figura entre os apps mais baixados

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Tik Tok: nova febre entre os jovens, rede social já figura entre os apps mais baixados

Ajuventude tem pressa, e o som dos ponteiros de um relógio não poderia soar mais apropriado para o nome de uma rede social que mira nesse público. Tik Tok , o nosso tic-tac em inglês, é a alcunha de uma das mais recentes febres digitais. Nascido na China, onde o Instagram e o Facebook são proibidos, o app é pautado no compartilhamento de vídeos curtos, numa lógica parecida com a dos Stories, mas sem que saiam do ar.

O mote é o entretenimento fácil e imediato. Faz sucesso ali a oferta de gravações engraçadas, com jovens dublando memes e músicas ou executando truques de edição, que se enfileiraram numa sequência infindável. Tal fórmula foi suficiente para fazer da aplicação a quarta mais baixada no mundo no ano passado, ficando, inclusive, à frente do Instagram. No Brasil, as primeiras estrelas nativas da plataforma começam a despontar. Uma delas é Bruno Carvente, do perfil @iBugou , especializado em truques de edição de vídeo. Ele chega a gastar três dias para produzir cada clipe de aproximadamente 15 segundos, num esforço que, até o momento, lhe rendeu 2,4 milhões de seguidores. “A galera ‘pirou’ com uma produção em que tiro o sol do céu e o coloco em outro lugar, como se estivesse trocando uma lâmpada”, descreve.

Bruno é paulistano, tem 28 anos e se aprofundou em efeitos especiais num intercâmbio em Nova York, em meio à faculdade de Sistemas de Informação. Escolheu o Tik Tok para escoar a sua criatividade por ser mais fácil de usar e ter um canal de comunicação melhor com os administradores do programa.

Se você já passou dos 30 anos, são altas as chances de desconhecer o app. E é aí que mora parte de seu sucesso. Segundo o professor de redes sociais da ESPM no Rio, Willian Rocha, muitos jovens têm migrado para o aplicativo em busca de privacidade, já que as outras redes estão cheias de familiares.

“É um lugar onde o público com idades entre 13 e 25 anos pode montar o seu ‘clubinho legal’”, diz. Outro motivo para essa adesão é o excesso de publicidade na concorrência, algo que ainda não acometeu o Tik Tok.

Mas isso também significa que os jovens interessados em ganhar dinheiro por meio da plataforma precisam ser mais criativos nesse sentido. É que, diferentemente de canais como YouTube, em que as pessoas podem lucrar a partir do volume de visualizações, o app chinês ainda não tem essa funcionalidade. Por ora, a monetização vem por meio de parcerias com empresas, numa lógica semelhante aos posts patrocinados do Instagram.

Outra forma de ganhar dinheiro pela ferramenta é fazendo lives em que os seguidores podem comprar créditos de até US$ 25 para presentear suas “estrelas”. Mas essa espécie de like com valor monetário ainda não engrenou por aqui e, inclusive, desperta dúvidas sobre o seu potencial. “ O Brasil é extremamente afeito às redes sociais, mas paga pouco por isso. Tanto que os sites de financiamento coletivo fazem um sucesso relativamente inferior no país, se comparado com outras partes do mundo”, pondera o coordenador do MBA em Marketing e Negócios Digitais da Fundação Getulio Vargas, André Miceli.

Fonte: O Globo