G1 – A casa que ouve e vê: dispositivos com comandos de gesto e voz serão comuns no lar do futuro

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A casa que ouve e vê: dispositivos com comandos de gesto e voz serão comuns no lar do futuro

 

Você fala, a sua casa ouve. Você se move, a sua casa vê. O lar de um futuro cada vez mais próximo é capaz de entender comandos de voz e de gestos que acionam os mais diversos sistemas.

Essa revolução tecnológica no ambiente domiciliar não se limita a aparelhos como celulares e televisões. Geladeiras, luzes, tomadas, fogões e fechaduras inteligentes responderão aos donos da casa sem a necessidade de que sejam comandados por botões.

É uma tendência que André Miceli, especialista em inovação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), acredita que levará ao “fim da interface”. Ter um tablet ou um celular que reúne comandos “clicáveis” já não será mais imprescindível: “Estamos acostumados a lidar com as tecnologias por telas ou de controles. Na próxima onda, os comandos de voz vão ser os mais usados”.

Miceli vê os dispositivos com comandos por gestos alguns passos atrás dos de voz no potencial para implementação, mas há espaço para crescimento. Sistemas de reconhecimento de imagens têm evoluído para captar os movimentos com maior precisão. Alguns dispositivos já evidenciam o amadurecimento da tecnologia, como relógios que podem ser comandados com gestos como esfregar as pontas dos dedos polegar e indicador ao lado do aparelho.

A chave para que os dispositivos funcionem, tanto por voz quanto por gestos, está em estabelecer padrões que possam “guiar” a tecnologia. “Você pode programar um gesto ou uma palavra-chave para que o sistema fique ciente de que você está saindo da residência. Daí, o comando desliga equipamentos como ferro de passar ou aquecedor, que são perigosos se permanecerem ligados. Pode também desligar toda a parte elétrica por um smart plug (tomada inteligente), que obedece a esse gesto ou a uma frase”, exemplifica Hugo Puertas, gerente de aplicações do Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico (LSI-TEC).

Capacidade para reagir a sons

Puertas lembra que a mesma tecnologia capaz de reconhecer a voz das pessoas também pode ser programada para reagir a sons. “Questões de segurança residencial também entram nessas aplicações. Você pode programar o sistema para reconhecer o som de janela quebrando, barulho de portão abrindo e, a partir daí, reagir de formas diferentes. Pode chamar a polícia ou ligar as luzes, por exemplo”, destaca.

São aplicações que indicam o caminho de uma casa inteligente, em que aparelhos e sistemas identificam padrões de comportamento, coletam dados e facilitam a vida de seus moradores. “A grande tendência de qualquer fabricante de tecnologia é captura de dados, o que permite a customização da utilização desses aparelhos de acordo com a preferência de cada usuário. Uma construtora tem usado esse tipo de tecnologia para fazer casas e apartamentos já de acordo com essas preferências. Redes sociais têm feito estudos para entender, por exemplo, com que tipo de conteúdo o usuário interage quando está em casa e, assim, customizar a oferta do conteúdo”, afirma Hugo Ferreira, professor do núcleo de inovação e empreendedorismo da Fundação Dom Cabral.

Com essas tecnologias já amadurecidas, os próximos passos são a popularização, que deve vir com redução de preços e divulgação, e a evolução dos dispositivos para que se tornem cada vez mais inteligentes. “Um ponto que eu acho diferencial é não pensar no dispositivo pelo dispositivo e, sim, em como levar valor para quem está usando. Há um, dois anos, começou a se espalhar a questão dos comandos de voz para, por exemplo, ligar e desligar as luzes, abrir e fechar janelas. Mas o salto é dar capacidade cognitiva aos sistemas de modo que identifiquem quando a pessoa em casa e já liguem a luz, a TV já liga no programa favorito”, conclui Carlos Tunes, executivo para a América Latina do Watson IoT, plataforma da IBM com soluções para a internet das coisas.

Fonte: G1