G1 – Clique em qualquer lugar: projetores transformam mesas e paredes em touch screens

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Clique em qualquer lugar: Projetores transformam mesas e paredes em touch screens

A ponta do dedo, seja o indicador ou o polegar, tornou-se a “ferramenta” pela qual realizamos um mundo de tarefas. Celulares e tablets estão equipados para “entender” esses comandos, mas a evolução das tecnologias embarcadas em projetores de última geração promete transferir as telas sensíveis a toques às mais diversas superfícies.

Na casa do futuro, a touch screen não deve mais ficar restrita a aparelhos. Mesas e paredes podem ser superfícies nas quais as informações são projetadas e onde os usuários comandam diferentes aplicativos. Você pode, por exemplo, selecionar a série favorita ou assistir ao canal de televisão de sua preferência a partir do clique no “play” projetado na parede. Ou abrir um bloco de notas virtual para deixar uma versão digital do velho bilhete na mesa. Ligações de vídeo com amigos e parentes que estão longe também podem ser projetadas nas mais diversas superfícies.

Coordenador do Centro Interdisciplinar em Tecnologias Interativas da Universidade de São Paulo (USP), Marcelo Zuffo destaca que a área de pesquisa de multiprojeção em realidade virtual é antiga. O primeiro sistema de realidade virtual baseado em projetores foi inventado em 1993.

Desde então, houve uma redução significativa da dimensão dos equipamentos. A “geringonça” que antes pesava de 200 quilos a 300 quilos e tinha duas vezes o tamanho de uma mala grande agora “cabe” em um aparelho de volume similar a uma caixa de fósforo. “Com esse tipo de tecnologia, você consegue transformar qualquer superfície em uma tela de toque. Uma parede, uma mesa, uma porta, um móvel”, analisa Zuffo.

“O fim das coisas”

Ainda que a tecnologia de projetores evolua e “espalhe” touch screens pela casa, há, por outro lado, uma forte tendência de eliminação destas interfaces “clicáveis”. O futuro pode ter telas por tudo, ou, dependendo da preferência do dono da casa, pode ter aparelhos que obedecem a comandos de outros tipos, como voz e gestos. As projeções podem se diferenciar por algumas alternativas interessantes que se abrem com o uso dessas imagens no ambiente domiciliar. “Tem uma possibilidade mais maluca desse tipo de alternativa que fala sobre ‘o fim das coisas’. Imagina que você tem a parede como uma grande tela. Você pode usar para dar comandos, mas também para projetar um quadro que passa a percepção de ser real. Em um dia, está lá um quadro do Monet, no outro, do Miró. E aí você tem aplicações infinitas”, exemplifica André Miceli, especialista em inovação da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Esse tipo de tecnologia só irá prosperar, porém, se possibilitar algo além da transferência da tela para outras superfícies. Ao menos essa é a avaliação de Carlos Tunes, executivo para a América Latina do Watson IoT, plataforma da IBM com soluções para a internet das coisas. Para Tunes, alternativas como a criação de hologramas, com visualização em três dimensões que não depende de superfícies físicas, tende a levar a utilização de projetores a um patamar mais avançado: “Vamos ter ainda um crescimento de dispositivos que permitam uma experiência diferente, como projetar em uma mesa, no entanto, o que vai ser transformador é ter dispositivos que permitem ir mais além”.

Fonte: G1