O Dia – Simpatizantes de Bolsonaro aderem a novo fenômeno na intenet

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Simpatizantes de Bolsonaro aderem a novo fenômeno na intenet

Brasília – As contas do Twitter de internautas ligados à direita ganharam novas cores nos últimos meses. Com uma temática futurística retrô, influência dos anos 1980 e do visual do começo da internet, a estética “vaporwave” está padronizando os perfis da militância conservadora. E já influencia até os políticos do governo. Entre eles, os irmãos Weintraub. Abraham, ministro da Educação, é o maior entusiasta. Arthur, recentemente nomeado como assessor especial da presidência, segue os passos do irmão mais velho. Mas o membro ilustre do fenômeno é o deputado federal Eduardo Bolsonaro. Indicado ao cargo de embaixador brasileiro nos Estados Unidos, ele aderiu ao movimento na terça-feira, ao trocar a sua foto de perfil no Twitter por uma imagem do seu rosto em cores néon. E, agora, a ideia é fazer a iniciativa atingir o presidente Jair Bolsonaro.

Nesta semana, o movimento lançou a hashtag #VaporizaPresidenteBolsonaro. Um fenômeno, aliás, capaz até mesmo de criar expressões identificadas com a tendência. Eles se autointitulam como a “turma do vapor” e passaram indicar novos perfis que aderem ao movimento com um verbo próprio: “vaporizar”.

Fiel ao bolsonarismo, o fenômeno buscou inspiração nos Estados Unidos na estética conhecida como “trumpwave”, que surgiu durante as eleições na Terra do Tio Sam, em 2016. No Brasil, a moda emplacou com o perfil Pavão Misterioso, conta da rede social que propagou notícias falsas contra o jornalista norte americano Glenn Greenwald, editor do site The Intercept, responsável pela publicação de reportagens atribuídas a membros da Operação Lava Jato acusados de cometer irregularidades. O Pavão, que figurou entre os assuntos mais comentados da rede social, popularizou as cores néon para os internautas identificados com a direita.

A estética, que nasceu no movimento musical entre as décadas de 1980 e 1990, passou a dar origem a memes. Segundo Fábio Goveia, coordenador do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic), grande parte do eleitorado do presidente nasceu nos anos 1980 e está ligada à cultura game.

Para ele, o objetivo é simplificar temas complexos para popularizar as pautas conservadoras. “A direita se apropria desses elementos e dispositivos meméticos muito fortes de sintetização. O governo Bolsonaro reduz e simplifica temas complexos. Aliás, simplificar as coisas é a essência do meme. Por isso, essa estética funciona nas redes sociais”. Além disso, o movimento facilita a comunicação de Bolsonaro com os internautas. “São elementos fortes e que facilitam a comunicação de um governo que quer se comunicar pela rede social, instantaneamente”, explica.

Para gerar likes

A socióloga Esther Solano, que estuda a atuação de grupos bolsonaristas em redes sociais, diz que o “vaporwave” é um fenômeno global. Na Europa, ficou marcado por conteúdos xenofóbicos e ganhou o apelido de “fashwave”. Uma referência à palavra fascist (fascista, em tradução livre do inglês para o português). “A nova direita tem uma militância pulverizada, sem lideranças ou hierarquias sistematizadas. É diferente dos movimentos conservadores tradicionais”, aponta. “O governo está cada vez mais longe da política pública e mais próximo de uma política do espetáculo, que é feita para gerar likes, compartilhamentos e ser repercutida”, complementa o sociólogo Ignácio Cano, professor da Uerj.

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André Miceli, coordenador do MBA de Marketing Digital da FGV, concedeu uma entrevista ao DIA sobre o fenômeno.

O DIA: Qual o impacto do movimento nas redes sociais?

ANDRÉ: Esses movimentos na internet têm uma explicação de construção de comunidades. Ele busca elementos comuns entre pessoas e o alargamento de seus círculos sociais. É a repetição de um comportamento humano que a internet potencializa. É a organização de um grupo que acredita em determinados ideais políticos. E que mostra uma espécie de repetição como forma de manifestar apoio ao Bolsonaro.

O DIA: Quais as características desse fenômeno no país?

ANDRÉ: Aqui no Brasil, estamos pouco acostumados a ver a direita se articulando, mesmo que sem um líder. Essas representações e manifestações voluntárias estão muito mais associadas, no nosso caso, à esquerda do que à direita. Agora, estamos vendo um grupo que acredita no que o presidente fala e que busca se identificar.

Fonte: O Dia