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Redes Sociais: veja sete pontos para entender o que esperar de 2020

Facebook, WhatsApp, Instagram, Twitter, Tik Tok, LinkedIn: desde o início da última década, uma série de novas plataformas, aplicativos e redes sociais surgiram no Brasil e no mundo. Não à toa, uma pesquisa realizada pela GlobalWebIndex, com sede em Londres, mostrou que o Brasil é o segundo país onde se passa mais tempo utilizando redes sociais, perdendo apenas para as Filipinas. O estudo mostrou que diariamente os brasileiros gastam 225 minutos, em média, nas redes.

Mas, muita coisa mudou nesta última década: o crescimento da conectividade entre os adultos; a preferência por redes sociais; e até mudanças na tecnologia, com a chegada do 4G e da facilidade de subir vídeos para a internet. Para discutir sobre o futuro das redes sociais, o Correio ouviu especialistas e listou sete pontos essenciais para entender o que esperar a partir de 2020.

A expectativa, no entanto, é continuar tendo as redes com grande participação dentro da vida dos internautas, como confirma o coordenador do MBA de marketing e negócios digitais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) André Miceli: “As redes sociais acabam dando uma percepção de pertencimento à comunidade, alargamento dos estímulos de contato. Então, dificilmente vão perder o protagonismo”.

Facebook se renova

O Facebook foi criado e cresceu durante os últimos anos como um ponto de encontro entre jovens. O espaço se modificou, houve um crescimento de usuários mais velhos, mas isso não significa que a rede vai acabar, como ocorreu com o Orkut, em 2014. Pelo contrário: para especialistas, agora a rede deve se atualizar. Para Fernanda Vicentini, professora de marketing digital da ESPM, a tendência é que a empresa tente resgatar o público jovem, ao mesmo tempo em que passa por mudanças estruturais.

“A rede tem cerca de 2,5 bilhões de usuários ativos mensalmente. Quando falamos em Facebook, pensamos que é um aplicativo, mas na verdade, é um grande conglomerado. É uma das marcas mais valorizadas no mundo”, explicou. “É normal que uma plataforma que exista há tanto tempo passe por mudanças. Mas, ele também é uma plataforma de negócios, de propaganda. E ele é muito eficiente nisso”, completou.

Preferências por grupos

Entre os principais meios do Facebook se renovar é apostar em grupos, conforme explicou o professor André Miceli. “Cada vez mais há grupos temáticos. Pessoas que não se conhecem no mundo físico, mas que vão interagir em função de uma pauta em comum”, explicou. A tendência, segundo o especialista, é que essa campanha para criação de grupos cresça mundialmente.

Mas, os grupos não estão restritos ao Facebook. Enquanto a rede promete unir pessoas que não se conhecem dentro de um espaço virtual, há outras plataformas que apostam em grupos menores — como é o caso do WhatsApp. “O WhatsApp aposta em grupos mais íntimos. Nesse caso, deve existir cada vez mais uma priorização da conversa de pequenos grupos, de indivíduos que já estão conectados no mundo físico. Nesse caso, é para falar mais perto”, comentou.

Vídeos

“Estamos vivendo a era dos vídeos”, resumiu a professora Fernanda Vicentini. E há muitas causas que possam explicar esse boom dos vídeos que tende a aumentar ainda mais em 2020: as melhorias nas tecnologias de redes móveis, como o 4G e a expectativa de um 5G; a diversidade de temas e áres; e até mesmo o prazer.

“Há dez anos, para assistir um vídeo, era necessário muita infraestrutura do celular. A tecnologia passou a ajudar muito nesse sentido. Se uma pesquisa quer fazer uma pesquisa, pode ir para o Youtube. Temos uma supremacia do vídeo porque é um formato mais completo e há uma grande facilidade em compartilhá-los. Além de ser mais fácil de consumir e também prazeroso”, disse Vicentini. Outra aposta é que os vídeos efêmeros também chamem mais atenção nos próximos anos, como o story do Instagram — plataforma na qual é possível colocar um vídeo de até 15 segundos, que depois de 24h desaparece.

“Os vídeos têm um formato de consumo de conteúdo mais leve, mais rápido. Devemos continuar usando o recurso, de maneira que as pessoas se sintam também mais estimuladas a produzir nesse formato”, concordou Miceli.

Saúde mental

Apesar da alta conectividade em 2020, há dois itens que entraram na lista de preocupações dos usuários: saúde mental e uso saudável do tempo nas redes sociais. Segundo Vicentini, há uma movimentação natural de usuários que querem fazer escolhas mais acertivas ao volume de tempo gasto e também da qualidade do conteúdo que elas consomem. “Estamos entrando em uma nova década, é natural que as pessoas busquem um equilíbrio. Um detox digital. Muitas pessoas costumam fazer isso no período de férias, e aproveitam com a família o fim de ano. Então, elas acabam deixando mais de lado o celular para curtir mais a vida”, disse.

Para isso, há uma clara preferência por aplicativos que ajudam a limitar o tempo gasto em tais ferramentas. Principalmente porque, segundo Vicentini, o uso das redes sociais pode criar padrões que podem criar ansiedade no usuário, como, por exemplo, a busca pelo corpo perfeito, que afeta diretamente a auto estima. “Às vezes, vê-se uma mulher de biquini. Outras podem se questionar porque ainda não chegaram a esse padrão. Há uma exposição da vidas dos outros, uma vida irreal. As pessoas estão começãndo a perceber que uma limitação é essencial para a saúde mental”, acrescentou.

Fake News

As plataformas, por outro lado, também têm preocupações. Como é o caso da divulgação de Fake News dentro das redes sociais. Um estudo divulgado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado mostrou que para 79% dos brasileiros, o WhatsApp é a principal fonte de informação.

Depois do WhatsApp, outras fontes foram citadas, misturando veículos de comunicação tradicional e redes sociais. Aparecem na lista canais de televisão, lembrados por 50% dos entrevistados. Vídeos no YouTube (49%), Facebook (44%), sites de notícias (38%), Instagram (30%), rádio (22%), jornais impressos (8%) e Twitter (7%) foram as outras opções.

Para André Miceli, o combate às Fake News deve ser uma preocupação das redes sociais, se quiserem continuar em alta. “A credibilidade está diretamente associada ao tempo com que as pessoas vão passar nas redes sociais. E toda a empresa precisa maximizar esse tempo. E para ter credibilidade, o que está ali publicado precisa ter veracidade”, opinou. O problema é que o processo de verificação ainda é caro, segundo o especialista. Mas, esse trabalho também deverá ser feito pelas agências de checagem.

De acordo com Fernanda Vicentini, apesar de ser uma preocupação nova, a dinâmica ainda é muito difícil já que as redes sociais não produzem o conteúdo ali exposto, e são espaços apenas de replicações. “Infelizmente, nossas leis não couberam na velocidade das plataformas. É uma questão jurídica”, disse. “Daqui a alguns anos, com novas eleições, essas plataformas, se não cobrarmos, não vão chegar em uma conclusão. Não saberemos ainda se haverá punição ou não. Tem que ter muita atenção para isso nos próximos anos”.

Privacidade e Segurança

Após muitas polêmicas em 2019 sobre o compartilhamento de dados de usuários na internet, outra preocupação das plataformas deve ser em garantir privacidade e segurança. Para Miceli, isso também dará credibilidade às plataformas. “É um ponto fundamental para que elas continuem sendo usadas. Então, haverá maior preocupação. Bullying e privacidade continuam na pauta. Outras funcionalidades para o controle de privacidade e segurança também devem acontecer. Esse tipo de preocupação certamente vai seguir na agenda das empresas que dominam esse cenário”, explicou.

Para ficar de olho em 2020

Uma das maiores apostas de Vicentini é o crescimento da plataforma chinesa TikTok — que já conquistou o coração de muitos jovens neste ano. “Foi o app mais baixado na Apple Store e no Android. E o brasileiro ainda está descobrindo a plataforma”, disse. Além disso, ela aposta em outros clássicos: “O Instagram defitivamente está vivendo seu auge. A plataforma é o que concentra o maior número de pessoas. Nestre ano, o comediante Carlinhos Maia transmitiu o casamento dele pela plataforma. Agora, tem muitas pessoas usando”, opinou.

Para Miceli, o LinkedIn — rede social de empresas, empregos e negócios — deve continuar em alta, principalmente se for considerado o nicho dos usuários. “Ela tem uma penetração muito forte no mercado corporativo e não dá sinais de desacelração”, disse.

Outra aposta são os podcasts, que, assim como os vídeos, apostam em produtos de áudio visual. “O podcast não é rede social, mas tem funcionalidades de compartilharmento de conteúdo em áudio e deve acabar aparecendo outras possibilidades de integração com redes sociais. O usuário consome podcast no Spotify, por exemplo, e o Spotify integra com as redes, com o Instagram, com o Facebook. Deve aumentar o consumo dele também no próximo ano”, apostou.

Fonte: Ariquemes Online