Home-office passa a ser alternativa de trabalho básica em tempos de pandemia

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Home-office passa a ser alternativa de trabalho básica em tempos de pandemia

Além da pandemia causada pelo coronavírus que “forçou” a maioria da população a trabalhar remotamente de suas casas, é cada vez mais comum encontrar pessoas que não querem uma rotina fixa, trabalhar em empresas ou enfrentar, por exemplo, um grande congestionamento no percurso casa-trabalho, e acabam escolhendo o home office. Este conceito é aplicado por aqueles que trabalham em suas próprias casas ou em espaços alternativos, como cafés e locais de coworking. Normalmente, trata-se de um método usado por profissionais freelancers, autônomos ou que atuam em empresas que permitem isso.

Dessa forma, os escritórios caseiros são excelentes alternativas para aquelas pessoas que estão começando seus próprios negócios e buscam um modelo que fuja da fórmula tradicional utilizada por grande parte das empresas, o que traz uma nova concepção para o setor empresarial e ajuda a estimular a economia. O modo de trabalho provoca algumas críticas, geralmente por pessoas que tentaram mas não obtiveram êxito por falta de planejamento, mas, 77% dos brasileiros entrevistados afirmam que o home office oferece maior qualidade de vida aos funcionários, segundo a IWG, e segundo a Randstad, 90% dos entrevistados preferem trabalhar de modo mais flexível para manter um equilíbrio melhor entre vida profissional e pessoal.

Desde 2016, o home office cresceu 22% de acordo com uma pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades. Também é esperado um crescimento de 30% do home office no Brasil após a pandemia, segundo uma pesquisa desenvolvida por André Miceli, coordenador do MBA em Marketing e Inteligência de Negócios Digitais da Fundação Getulio Vargas. Integrantes da equipe de A VOZ DA SERRA relatam sobre a experiência de trabalhar em casa. Confira.

A seguir, depoimentos de funcionários de A VOZ DA SERRA sobre a experiência de trabalhar de casa:

Thiago Lima (estagiário): “A maioria pode pensar que é um trabalho fácil, pelo motivo de você estar no conforto do seu lar, mas não é tão simples assim. É necessário ter uma rotina extremamente organizada para não perder o dia inteiro e não produzir quase nada. Porém, nessa atual experiência que estou tendo, está sendo fantástico produzir na própria zona de conforto, facilitando até uma certa inspiração para o trabalho e aumentando a produtividade.”

Guilherme Alt (repórter): “Há uma ideia de um relaxamento maior quando se trabalha de casa. No meu caso foi justamente o contrário. O meu rendimento foi ainda maior justamente pela responsabilidade de apurar as notícias com mais afinco, já que na redação as informações chegam de modo mais fácil e rápido e em casa, eu precisei me empenhar muito para suprir a defasagem nessa velocidade na checagem de dados. Já trabalhei de casa antes, e para mim foi tranquilo me organizar para otimizar a minha produção. O volume de notícias que eu produzi praticamente dobrou. O home office deu muito certo no período em que trabalhei nesse esquema e me fez sentir muito seguro por evitar o contato com pessoas que não tem seguido as regras básicas de isolamento social. Os especialistas projetam que esta semana e a próxima serão críticas e termos de contágio, e isso me dá medo de abandonar esse esquema que tem dado certo.”

Vitória Nogueira (estagiária): “O isolamento social é realmente um desafio. Sou uma pessoa extremamente caseira, não existe nada que eu ame mais do que ficar em casa, mas digo isso porque mesmo não sendo “saideira”, valorizo muito as pessoas. As pessoas para mim são mais importante do que lugares, festas e eventos. E tem sido essa a saudade mais difícil de enfrentar. Dos amigos, familiares, colegas de trabalho. Conversas, risadas, abraços, piadas internas, ensinamentos, trabalho em grupo. O home office tem lá o seu diferencial, trabalhar no silêncio absoluto (no meu caso), no conforto do meu quarto, tem seu lado bom. Ideias tenho aos montes, a criatividade nunca esteve tão aflorada. Ao mesmo tempo, perde-se a proximidade das conversas, o íntimo do questionamento, afinal, trabalhando em conjunto, com pessoas da minha idade (23 anos) só de experiência, outras muito mais que isso, estando junto aprendo muito, observo, escuto, guardo. Me adapto, pelo menos por enquanto, as medidas de segurança sugeridas pelos órgãos de saúde, para que todos nós possamos sair logo dessa situação, e a cada dia tenho mais certeza de que gente precisa de gente, ninguém é feliz sozinho.”

Adriana Oliveira (editora de web): “Para a edição do site, a experiência do trabalho remoto não difere em nada do presencial, devido à disponibilidade de todas as ferramentas tecnológicas necessárias para o exercício pleno da função: internet de alta velocidade, notebook com boa memória, TV, smartphone, serviço de TI para emergências e todos os modernos programas de edição de notícias que A VOZ DA SERRA oferece a seus jornalistas. Em casa, é imprescindível manter a mesma rotina e atitude do trabalho presencial, como vestir-se de acordo, profissionalmente, e manter horários. A única diferença, nesses tempos de isolamento social, é estar mais disponível, em casa, para acompanhar os acontecimentos e resistir a atualizar o site ainda mais vezes ao longo do dia.”

Fernando Moreira (repórter): “Devido a pandemia do novo coronavírus e as recomendações de isolamento social, experimentei pela primeira vez nesses 12 anos que milito na imprensa friburguense o trabalho remoto. Considerei a experiência super válida e eficiente. Primeiro porque evita deslocamentos e nos proporciona ficar mais próximos da nossa família (no meu caso, esposa e filho). Segundo porque as ferramentas tecnológicas que temos hoje à disposição facilitam muito o trabalho e o contato com fontes, entrevistados e os próprios colegas de redação. Por outro lado, algumas reportagens exigem de nós, jornalistas, a presença física no local, de modo a relatar com mais fidelidade os fatos que serão narrados. Colocando tudo isso na balança, considero o home office algo totalmente possível que pode se tornar uma tendência no futuro.”

Adriana Ventura (diretora): De uma hora para outra, tivemos que decidir pelo home office, mas desde 9 de março já havíamos optado pelo afastamento de duas funcionárias que são do grupo de risco, antes mesmo do decreto municipal. Começamos então a trabalhar de casa remotamente, sem nenhum treinamento ou experiência anterior, apesar de termos um sistema super moderno com todos os computadores interligados. Mesmo com toda essa possibilidade disponível a apenas um click, nunca tínhamos testado. Teve que ser na marra mesmo. Funcionou, mas confesso que fiquei muito cansada.

A coordenação das matérias “de longe “ e da produtividade dos jornalistas com a rapidez necessária para a edição de um jornal diário, paralelamente àa renovação do nosso site, esbarrou na dificuldade de manter uma sincronicidade nas ideias, ou até mesmo uma reunião para distribuição de pautas com o tradicional debate entre os jornalistas. A comunicação entre a equipe acabou sendo feita através de um grupo criado pelo whatsapp. A comunicação online gerou um grande número de mensagens, que às vezes se perdiam. Na minha opinião, foi um pouco complicado administrar essa nova situação. Ficamos somente três dias na última semana de março sem editar a versão impressa de A VOZ DA SERRA.

Sabededores da importância de nossa função, da necessidade nesse momento de pandemia de informar ao público com qualidade, credibilidade e confiança, nos esforçamos e voltamos a colocar nosso jornal na rua, em respeito aos nossos assinantes e aos leitores que compram nossos exemplares nas bancas diariamente. Voltamos eu, o editor, a equipe da diagramação, edição de vídeos e o fotográfo, além, claro, da equipe da nossa gráfica. Em trabalho remoto mantivemos o setor administrativo e alguns jornalistas até o dia 14 de abril.

Continuamos adotando horários diferenciados em nosso expediente diário na sede. Nossos dois estagiários de jornalismo, como estão com as aulas presenciais suspensas na universidade, estão aproveitando a experiência do home office também.

Acho que existem outros tipos de trabalho, que, por serem diretamente ligados a resultados, podem funcionar muito bem com atividades remotas. Mas, no nosso caso, um jornal diário que depende do imediatismo da produção da notícia, com exceção de colaboradores e colunistas, manter toda a equipe da redação em home office foi uma tarefa complicada.

Acho que nada substitui o calor de uma redação que é surpreendida a todo momento por novos fatos, novos dados e possíveis pautas. Como tudo tem dois lados, alguns acontecimentos surgem justamente para nos desafiar e nos fazer sair da zona de conforto que estávamos.

Neste momento difícil e crucial para a saúde e a economia, eu como diretora, creio que terei muita coisa para rever com relação ao espaço físico realmente necessário, opções de circulação, redefinição de cargas horárias e procuro estar aberta para as novas relações trabalhistas, que se anunciam.

É um momento novo para todos nós!

Fonte: A Voz da Serra