Home office: trabalho remoto será mais comum após a pandemia

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Home office: trabalho remoto será mais comum após a pandemia

Home office é a modalidade que as empresas adotaram para dar seguimento ao trabalho. Em tempos de coronavírus, o método de trabalhar em casa tem como objetivo dar sequência na produção, proteger os profissionais de contágio na rua, além de evitar aglomerações. Existem quem ama estar em casa e há também quem não está suportando mais. Profissionais de áreas diferentes conversaram com o EM TEMPO sobre a nova prática.

Karina Gonçalves é professora e tem 11 anos de docência. Casada e mãe, a rotina em casa precisou de adaptação. Os horários de estudar, dormir, preparar o almoço foram reorganizados. Os equipamentos digitais como computador e celulares são divididos com as crianças. Entre reuniões on-line, atendimento aos alunos e filhos, Karina falou sobre as vantagens e desvantagens do home office.

“As vantagens são emocionais, estamos acompanhando o desenvolvimento dos nossos filhos, podemos comer a hora que der vontade, trocar o uniforme por uma roupa confortável, depois das gravações, claro, sair do cenário de home office e deitar na rede e trabalhar. As desvantagens são físicas, ficamos muito tempo nas telas, como a rotina dos nossos clientes não é a mesma que a nossa, atendemos alunos durante a noite também, logo nosso cansaço é intenso. Há também a situação de não termos os equipamentos adequados para o ensino remoto”, explicou a professora.

Segundo Karina, os filhos reagiram bem, acordam no horário, realizam seus deveres e brincam sempre. Por passarem mais tempo em casa os gastos aumentaram, no entanto, para ela e o esposo os custos são equiparados, já que agora economizam com gasolina. Ainda assim, visando como profissional, a educadora prefere o método presencial.

“Em termos pedagógicos as crianças são agentes de seu desenvolvimento, não precisam esperar os pais chegarem do trabalho, nem se tem internet, ou equipamentos disponíveis, podem perguntar na hora suas dúvidas e etc. o ensino remoto tem algumas vantagens, mas elas são pequenas diante das desvantagens”, afirmou Karina.

Robson Garcia é analista fiscal e trabalha há dez anos na área, para ele tem sido uma experiência desafiadora. Esta é a primeira vez que trabalha em Home Office e confessa: “levei um tempo para me adaptar a essa modalidade”. Entre os lados positivos e negativos, o profissional contou sobre as experiências.

“Preciso citar que é muito bom não ter quer enfrentar aquele trânsito caótico do dia a dia. Estar perto da família é outra vantagem. Na jornada de trabalho em casa, também tenho alguns minutos de intervalo, então posso preparar um lanche rápido ou brincar com meu cachorro, esses pequenos momentos são revigorantes. Por outro lado, existe a dificuldade na comunicação com os demais colaboradores da empresa. Quando havia um problema no escritório, fazíamos uma pequena reunião e podíamos resolver de forma rápida. Com o home office dependemos das ferramentas de comunicação e nem sempre as pessoas estão disponíveis para uma conferência”, falou Robson.

A família de Robson também necessitou de ajuste, no início ele precisou explicar várias vezes para que eles compreendessem que apesar de estar presente não estaria disponível para outros afazeres.

Não dava para interromper o trabalho para tratar de outros assuntos, e com o tempo eles também se adaptaram a atual rotina. O analista confia que a modalidade vai ganhar o mercado, mas se dependesse dele, amanhã mesmo voltava ao trabalho.

“Se pudesse escolher ficaria com o método presencial. Toda a infraestrutura da empresa e a colaboração entre os colegas do trabalho fazem com que as informações possam fluir de maneira mais rápida e as decisões mais assertivas. Acredito que o Home Office pode sim conquistar sua parcela no mercado, afinal, nos dias em que estamos em casa a empresa também está obtendo vantagens como a economia de transporte, água, energia e alimentação então ele também pode ser interessante para a saúde financeira da empresa”, disse o analista.

Prática deve permanecer

O professor da Fundação Getúlio Vargas, André Miceli, comandou uma pesquisa sobre trabalho remoto e concluiu que a modalidade deve crescer 30% após o fim da pandemia, pois a situação atual deve impactar as culturas organizacionais gerando mudanças. “O home office já se mostrou efetivo. Aliado a isso, você tira carros da rua, desafoga o transporte público, mobiliza a economia de outra forma. E você faz com que as pessoas tenham mais tempo para cuidar da saúde delas e que elas possam usufruir de coisas que lhe dão prazer, sem que você tenha uma redução das entregas e do faturamento”, informou Miceli em sua pesquisa.

“Todos ganham com o home office”

A Administradora e Consultora de Negócios, Madalena Przybysz, acredita que todos ganham com o home office. Segundo a consultora, além de baixar os custos das empresas e melhor a qualidade de vida do empregado, aumenta a produtividade. As empresas terão suas estruturas mais enxutas, podendo reinvestir recursos em tecnologia digital e também nas áreas que realmente necessitam de presença física, uma vez que nem todas as atividades entraram nesta modalidade.

“O Home Office, mesmo antes deste período de pandemia que estamos vivendo, já era uma tendência de mercado. Este momento marcará a nossa geração. Haverá uma grande reestruturação das empresas no retorno de suas atividades e uma remodelagem em sua forma de trabalho com a tecnologia da informação. A adequação de trabalhos, flexibilidade no horário, novas habilidades tecnológicas, estrutural, cultural e organizacional, proximidade da família dará uma maior independência. Com isso, reduz o nível de estresse com trânsito (deslocamento), aumenta a produtividade e proporciona qualidade de vida”, explicou a consultora.

Das leis

As leis poderão ser adaptadas, algumas extintas e com a aprovação de novas para que haja segurança jurídica para ambos os lados. Madalena explicou que o teletrabalho foi regularizado em 2017, mas que não há pleno exercício no Brasil.

“As leis trabalhistas que atualmente são praticadas no Brasil ainda não trazem flexibilidade para a livre negociação em um contrato de trabalho entre empregador e empregado. Isso traria benefícios de melhorias de salários e adequação de carga horária, pois o cenário ideal é haver trabalhos que independem do tempo que uma determinada atividade será realizada, e sim no resultado alcançado”, explanou consultora empresarial.

Fonte: Em Tempo