O impacto do home office para a mobilidade urbana

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A disseminação do trabalho em casa durante a pandemia contribuiu para melhorar o trânsito. Será uma mudança definitiva?

Antes da pandemia, a tendência do home office era muito comentada e pouco praticada no Brasil. Mas, de uma hora para a outra, as circunstâncias fizeram essa modalidade de trabalho ganhar escala no País. Muitos profissionais aprovaram a experiência e gostariam de mantê-la – ainda que de forma parcial, por dois ou três dias na semana.

Muitas empresas também se encantaram com as vantagens da estratégia, especialmente com a redução dos custos fixos com infraestrutura. Várias já anunciaram que vão manter o trabalho remoto mesmo depois da pandemia.

De provisório para definitivo

De acordo com pesquisa da consultoria Cushman & Wakefield, 74% das multinacionais que atuam no Brasil projetam que sairão da pandemia com um índice definitivo de adoção do home office superior ao que tinham no início da crise.

Um estudo do professor André Miceli, coordenador do MBA em Marketing e Inteligência de Negócios Digitais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), projetou um definitivo de 30% na adoção de home office no País em relação ao quadro pré-pandemia.

“Muitas empresas não testavam o home office ou, se testavam, ficavam com a sensação de que não funcionava. Mas é um modelo que foi posto à prova de uma forma que não havia sido antes”, diz Miceli, que ouviu gestores de 100 corporações para chegar à projeção.

A adoção do home office durante a pandemia quase triplicou no País, passando de 5% para 13,5% dos trabalhadores, índice alcançado na primeira semana de maio, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Desde então, com muitas pessoas voltando ao trabalho presencial, o número vem caindo pouco a pouco, até chegar a 11,5% no fim de agosto.

De acordo com a previsão de Miceli, a proporção de pessoas em trabalho remoto continuará recuando até se estabilizar em 6,5% quando a pandemia tiver passado.

Distribuição geográfica

É importante levar em conta, contudo, a grande diferença regional existente nesse tema. A proporção de trabalhadores em home office na região Sudeste na última semana de agosto era três vezes superior à da região Norte – 14,8% contra 4,9%.

E é no Sudeste que estão as principais metrópoles do País, com maior potencial de serem beneficiadas pela redução de pessoas circulando diariamente.

Ainda assim, o crescimento imediato da adoção do home office será insuficiente para se tornar perceptível no trânsito e na mobilidade urbana. A esperança está no fato de que a pandemia trouxe um impulso inesperado à tendência, o que pode contribuir para transformações mais profundas ao longo da década que está começando.

Fonte: Estadão